Já faz mais de uma semana que eu não escrevo! Tenho várias boas desculpas, mas a que mais justifica é a preguiça de escrever por ser tão detalhista e saber que o post vai dar um pouco de trabalho para escrever... Ainda mais quando se trata de bicicleta, um assunto tão especial pra mim!
Eu já tinha falado num outro post que eu fui numa oficina comunitária de bicicletas e que o assunto iria render um post. Voilá!! É esse o tema de hoje!
Neste domingo eu voltei lá pela terceira vez. Na primeira eu fui para conhecer e pedir umas dicas para eu comprar uma bicicleta usada. Nas outras duas, fui botar a mão na massa.
A oficina comunitária de bicicleta é uma idéia muito interessante porque trabalha com o conceito do "faça você mesmo" (DYI, in English). É um espaço físico munido de ferramentas e que depende da troca de conhecimento: você vai para aprender a fazer manutenção da sua bicicleta, com a orientação de ciclistas mais experientes ou experts no assunto. O interessante é que você compatilhe também o conhecimento adquirido com os que sabem menos do que você, dando continuidade ao ciclo. De quebra, você conhece pessoas, troca idéias e faz amizades com aqueles que compartilham a mesma paixão que você.
Foi em São Paulo que eu conheci o esquema pela primeira vez. A "Mão na Roda" (MNR para os íntimos) é um projeto da Ciclocidade (Associação dos Ciclistas Urbanos de SP). Funciona às quintas num local cedido pelo Contraponto 55, um espaço cultural na Vila Madalena. Hoje a oficina sobrevive do trabalho dos voluntários, da doação de dinheiro pelos usuários e também da venda de produtos, como adesivos, comidas e bebidas vendidas a preço de custo, com cotação mínima (ou seja, para contribuir com a oficina, você paga a mais). Além de ser uma oficina, é um ótimo espaço para a socialização. Aqui tem mais fotos da MNR, pra sentir o clima. É um lugar que eu adoro e morro de saudade!
Descobri que existia uma oficina dessas em Paris, chamada Atelier Vélorutionnaire (vélo em francês é bicicleta). A oficina daqui abre às terças, quintas e domingos. Por muito tempo eles funcionaram como oficina itinerante em praças e espaços abertos, mas em outubro do ano passado, após muita luta da associação que coordena o processo, eles conseguiram esse espaço físico. Lá antes funcionava uma oficina de bicicletas mantida pela Prefeitura, mas com a instalação da Vélib', foi desativada e agora acolhe o Atelier. A Prefeitura contribui com o aluguel e as contas de luz e água, mas assim como a MNR, eles sobrevivem do voluntariado, de doações, da venda de peças com cotação mínima e também da taxa de associação anual do Atelier (10
€), que dá direito a usufruir do espaço, das ferramentas e da boa vontade dos voluntários.
Quando fui na oficina francesa (Atelier) pela primeira vez, procurava dicas que me ajudassem a encontrar uma bicicleta usada, mas foi muito melhor que a encomenda. Aqui tem um esquema de repatriação de bicicletas que funciona junto com a oficina, o que não tem ainda na MNR, em SP.
A repatriação funciona da seguinte forma:
- Eles recuperam bicicletas que a Prefeitura recolhe das ruas (consideradas abandonadas) ou então recebem bicicletas doadas e as armazenam temporariamente numa sala que funciona como depósito de bicicletas;
- Você, que está louco para pedalar, mas não tem bicicleta, vai lá e escolhe uma;
- Investe suor e trabalha nela até deixá-la pronta para uso;
- Volta pedalando pra casa feliz da vida!
Resumindo: É de graça! O custo é apenas o trabalho que você vai ter para arrumar tudo o que precisa.
Voltei lá no domingo seguinte e escolhi dentre algumas opções disponíveis, a minha bicicleta, ou o meu brinquedinho novo, como disse a minha mãe. Ela é uma antiga Peugeut azul, estilo clássica. A coitadinha foi recuperada do "ferro velho de bicicletas" da Prefeitura de Paris. Estava meio detonadinha, com muitos pontos de ferrugem, um amassado no quadro e muito trabalho pra fazer: alinhar as rodas, trocar as câmaras e pneus (que estavam craquelando), trocar ou lubrificar os cabos dos freios, alinhar a coroa, regular o câmbio e os freios, limpar a corrente e dar uma boa limpada nela toda! Acho que é só!
Hoje foi o meu segundo dia de trabalho e ainda não consegui terminar tudo, mas falta pouco e da próxima vez já volto pedalando pra casa!!! Olha ela aí:
Esse adesivo laranja vai sair. Ele é só pra identificação enquanto ela fica "hospedada".
Essa é a sala onde funciona o depósito de bicicletas (para repatriação e para armazenar temporariamente as bicicletas que estão no processo de reparo, como a minha (última da esquerda).
A oficina daqui é muito bem organizada e possui espaços para armazenar peças usadas. Existem caixas separadas para cada uma delas: selins, freios, coroas, catracas, manete de freio, cabos, pedal, pedivela, guidão.... tudo! Cada peça no seu espaço! Tem também gavetinhas com pequenos nichos para separar os diferentes tipos de parafusos, porcas e arruelas. Além, é claro, dos painéis com as ferramentas. Eles também tem uns pedaços de carpete (de uns 30 x 40 cm) pro pessoal colocar embaixo das bicicletas quando mexer com óleo, assim não pinga no chão e mantém a ordem do lugar.
Não consegui fotografar o ambiente durante o funcionamento porque eles pediram pra eu não fotografar o rosto das pessoas. Então eu tirei fotos do espaço após o término das atividades. Então não vai dar pra sentir muito o "clima" do lugar:
Não consegui fotografar o ambiente durante o funcionamento porque eles pediram pra eu não fotografar o rosto das pessoas. Então eu tirei fotos do espaço após o término das atividades. Então não vai dar pra sentir muito o "clima" do lugar:
Além dos suportes tradicionais, eles usam essas correntes com ganchos para suspender as bicicletas.
Essas são as caixas com as peças grandes e um dos painéis de ferramentas.
Os
alinhadores de roda, uma parte das caixas com as peças e o outro painel de ferramentas.
Essas são as gavetas que armazenam as pecinhas.
Um painel com as regras, logo na entrada.
No Atelier daqui tem também uma pessoa que comanda o esquema. Ela recepciona quem chega, faz os cadastros, recebe os pagamentos e faz o controle do horário. Meia hora antes de fechar ela anuncia, pede pro pessoal finalizar os trabalhos e começa a pedir ajuda pra limpeza. Aqui além de passar a vassoura, eles passam pano e lavam o chão. Fica um brinco!
O pessoal ajudando na limpeza, após o trabalho.
Comparando com a oficina MNR, o Atelier não é tão acolhedor. O pessoal é bem focado nas bicicletas, mas rola uma interação legal também.
No próximo sábado tem a "Bicicletada" deles, que chama Vélorution. Se tudo der certo, volto pro Atelier na terça e participo já com a minha bicicleta "nova"!!
Au revoir!



Trés genial!
ResponderExcluirUau!!!
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